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Antes passou pelo teatro: fundou a companhia nova-iorquina Hard Place Theater, foi desenhador de luz para colectivos como o Wooster Group ou os Elevator Repair Service. Professor na New York University (NYU), dedica-se a analisar a forma como a Internet se transformou num meio de conversa e de organização de grupos onde os membros se tornaram produtores e não apenas consumidores – e toda a gente pode ser um canal de informação. Diz que as ferramentas das redes sociais estão a melhorar exponencialmente a nossa capacidade para partilhar, cooperar e agir em conjunto. E se há algo único na nossa era, nota, é o facto de podermos usar o nosso tempo livre em projectos para o bem comum, aquilo a que chama no seu livro “cognitive surplus” (excedente cognitivo).

Teve o seu primeiro computador aos 28 anos. O que é que o surpreendeu mais no avanço da Internet desde essa altura?

A coisa que não percebi de todo nos anos 1990 foi a ideia do fim do ciberespaço – esta ideia que todos tínhamos de que a Internet era um espaço exterior e que se ia lá, usando estas metáforas do espaço. Como matriz era um sítio onde se ia e, chegando, abandonava-se o mundo real. Acreditei nisso durante dez anos, acreditei que era para aí que caminhava. Depois comecei a ensinar na NYU (New York University) e percebi que nenhum estudante usava a palavra ciberespaço e nenhum via a Internet como um sítio a que se ia, porque basicamente fazia parte das suas vidas. Quer dizer, para eles, que estiveram sempre online, a Internet não é uma alternativa à vida real, mas um aumento da vida real. De todas as crenças erradas que tinha quando comecei a usar a Internet essa é a maior – a Internet não é uma esfera separada da vida. No momento em que alguém tem um telefone com acesso à Internet a relação com a rede muda, estar ou não estar online deixa de ser uma questão. O real e o virtual misturam-se, tanto que já nem faz sentido usar as duas palavras.

Essa diferença entre quem separa e não separa o real e o virtual corresponde a uma diferença geracional?

É parte disso. Quando estava na universidade, havia uma empresa telefónica que fazia chamadas de longa distância e com bom som. Se alguém ligava de Paris para Lisboa, era porque era uma coisa urgente. Eu nunca tive essa sensação de uma chamada de longa distância ser uma coisa especial: a qualidade das chamadas vai ser sempre boa, os preços desceram imenso e deixou de ser uma coisa especial. Para os meus pais era uma coisa especial. Essa é a vantagem que os jovens têm em relação à Internet hoje: as pessoas que a viram desenvolver-se quando eram adultos nunca serão capazes de a tomar como algo de garantido. É como a música. Para a geração mais nova, a ideia de ter os CD nunca foi suficientemente apelativa para os fazer ir a uma loja comprá-los – a música deles está no iTunes ou no Pandora (site de acesso a música disponível em alguns países, não Portugal). As pessoas mais velhas terão sempre a memória do tempo em que a música vinha de uma loja, os jovens nunca terão que lutar contra essa memória.

Fala no seu livro Eles Vêm aí… de quatro pontos essenciais na actividade dos grupos online: a partilha, a conversa, a colaboração e a acção colectiva. Como é que estes quatro aspectos vão evoluir nos próximos dez anos?




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