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A missão de resgate dos 12 jovens futebolistas e do seu treinador, presos há duas semanas na gruta de Tham Luang, na Tailândia, foi um sucesso. A tecnologia desempenhou um papel importante. A comunicação e a viagem até aos jovens era dos maiores desafios: as grutas onde ficaram presos, no norte do país, eram compostas por quilómetros passagens estreitas, cheias de águas lamacentas e correntes fortes.

Várias empresas enviaram drones para mapear o local, rádios e sistemas de comunicação para ajudar as equipas de resgate. O empresário Elon Musk chegou construir um submarino para ajudar ao salvamento (que não era adequado). O primeiro contacto com os jovens, porém, foi feito graças a uma tecnologia mais antiga: os HeyPhones, rádios caseiros concebidos há quase duas décadas. 

HeyPhones

Os HeyPhones foram criados em 2001 pela comunidade britânica de especialistas em missões de salvamento em grutas. O sistema utiliza frequências com comprimentos de ondas baixos para comunicar através das rochas. A vantagem face a outros aparelhos mais modernos é que podem ser construídos por qualquer pessoa em casa: as instruções estão online.

Um grupo de voluntários britânicos de Derbyshire, no Reino Unido, montou quatro aparelhos na passada terça-feira para serem enviados às equipas na Tailândia. Foram estes aparelhos que permitiram a primeira conversa entre os jovens e o exterior.

Corrente de rádios

A equipa de comunicação israelita Maxtech Networks forneceu 19 rádios topo de gama à equipa de salvamento. Apesar de parecem meros walkie talkies, são capazes de criar canais de comunicação audiovisual em locais onde não se apanha rede (por exemplo, no subsolo). O sistema usa um método chamado daisy chain  (“cadeia de margaridas”, numa tradução literal do inglês), no qual vários aparelhos são conectados numa sequência. Isto permite criar uma rede móvel que conecta um percurso de 20 quilómetros e continua a funcionar mesmo quando um dos aparelhos desaparece ou se estraga. Permite conversas até dez horas de cada vez.

Reciclar oxigénio

Devido à distância até aos jovens, transportar oxigénio era um grande problema para os mergulhadores. Era preciso utilizar aparelhos capazes de “reciclar oxigénio” (conhecidos como rebreathers ou recicladores de ar). Normalmente, um mergulhador inspira oxigénio da garrafa que transporta consigo, com o ar expirado a ser expelido para a água. Um reciclador é um aparelho que absorve o dióxido de carbono na expiração dos mergulhadores, permitindo que esse ar seja utilizado, repetidamente, durante mais tempo. O sistema não dispensa, porém, uma bomba de oxigénio, sendo necessário ir repondo as partes de oxigénio transformadas em dióxido de carbono. 

Drones e robôs

Com o nível das águas a subir e os rapazes ainda presos, a equipa de salvamento teve de começar a bombear água para fora das grutas. A empresa de exploração de petróleo tailandesa PTTEP emprestou três drones equipados com câmaras capazes de criar mapas em 3D das grutas e ajudar as equipas que precisavam de escavar o solo para instalar tubos e retirar a água. Os mapas também serviram para identificar os vários pontos de acesso à cave em que os rapazes estavam presos, ajudando os mergulhares a organizarem-se.

O submarino de Musk

O empresário Elon Musk, dono da Tesla e da empresa de exploração espacial SpaceX, também propôs várias sugestões para ajudar ao resgate. A primeira das ideias, partilhada numa publicação do Twitter, era a construção de um túnel insuflável capaz de eliminar água e criar uma passagem segura para os jovens. Devido às pequenas dimensões de algumas partes das grutas (cerca de 70 cm de largura), o sistema não era viável.

Mais tarde, Musk propôs a criação de uma “micro-cápsula submarina”, desenhada para crianças e capaz de ser transportada por dois mergulhadores. Um dia depois da ideia, o aparelho já estava a ser testado na Califórnia. O aparelho (a que Musk chamou Wild Boards, em honra do nome da equipa de futebol dos rapazes presos na gruta) foi levado até ao local, onde acabou por não ser usado.


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




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