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Os alunos de Teatro do Externato Delfim Ferreira, em Famalicão, não vão às aulas há duas semanas, em protesto contra o afastamento das duas responsáveis pelo curso e outros alegados “incumprimentos” por parte da direcção da escola.


“O nosso curso desabou por completo”, disse esta quarta-feira Joana Castro, porta-voz dos cerca de 60 alunos daquele externato que frequentam o Curso Profissional de Artes do Espectáculo e Interpretação.

Joana Castro explicou à Lusa que os problemas começaram com a suspensão da directora do curso e o despedimento da coordenadora, pessoas que os alunos consideram “peças fulcrais” para o bom funcionamento e o sucesso das actividades lectivas.

O resultado, acrescentou, é a “total indefinição” em relação às formações em contexto de trabalho (FCT) e às provas de aptidão profissional (PAP), sem as quais o curso não pode ser dado por concluído.

Além disso, os alunos queixam-se de que o externato não estará a cumprir as suas obrigações com os alunos em termos financeiros. “Neste momento, o curso é uma espécie de barco à deriva”, sublinhou Joana Castro, garantindo que, como forma de protesto e perante a “falta de diálogo” da direcção, a esmagadora maioria dos alunos de teatro não vai às aulas há duas semanas.

O curso é financiado pelo Programa Operacional de Potencial Humano (POPH).

Esta quarta-feira, os alunos manifestaram-se “artisticamente” em frente aos Paços do Concelho de Famalicão, com a encenação de uma peça de teatro, ao mesmo tempo que os encarregados de educação se reuniram com o presidente da câmara, para tentar resolver o impasse.

“No dia 24 de Outubro, pedimos uma reunião à direcção do externato, mas apenas obtivemos como resposta três semanas de silêncio”, referiu Eugénio Maia, pai de uma aluna do 12.º ano.

Este encarregado de educação disse que se registam no externato “situações graves”, que se escusou a especificar, adiantando apenas que já terão sido reportadas às entidades com tutela sobre a educação. ”Durante sete anos, o curso de teatro funcionou muito bem, mas agora há mais de 60 alunos cujos sonhos estão a ser destruídos”, disse ainda Eugénio Maia.

O presidente da câmara, Paulo Cunha, manifestou-se preocupado com esta situação, nomeadamente pelo absentismo que dura há duas semanas, mas sublinhou que o município não está disposto a abdicar daquele curso no concelho. Um curso que funciona em instalações cedidas pelo município e que o autarca admite que possa ser ministrado por outra escola, caso o Externato Delfim Ferreira não queira ou não tenha condições de continuar a assumi-lo.

A saída da directora e da coordenadora do curso levou também à saída solidária de todos os 17 professores da área técnica. “Enquanto as responsáveis do curso não voltarem, nós também não voltamos”, assegurou João Castro, que ali lecciona há dois anos.

João Castro sublinhou a “excelência” do curso de teatro daquele externato, onde os alunos tinham a oportunidade de contar com 17 ou 18 formadores diferentes em cada ano lectivo.

A Lusa contactou a directora pedagógica do externato, Alzira Pereira, que remeteu qualquer esclarecimento para um comunicado a emitir ainda durante esta quarta-feira. 



Autor: Publico.pt – Educação




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