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Média positiva a Português, Matemática A, Física e Química e Biologia e Geologia, as quatro provas mais concorridas do ensino secundário. Esta é a principal conclusão de uma análise aos resultados dos exames nacionais do 11.º e 12.º ano, cujas notas foram conhecidas nesta quinta-feira.

Apesar das críticas de professores e dos alunos às mudanças ocorridas nas provas de Português e Matemática A do 12.º ano, a oscilação dos resultados por comparação a 2017 foi pouco significativa. A Português, a média dos alunos internos (os que frequentaram as aulas até ao fim) desceu de 11,1 para 11 valores. E a Matemática A passou de 11,5 para 10,9.

Já a média a Física e Química A e a Biologia e Geologia, ambas disciplinas do 11.º ano e que muitas vezes ocupam os piores lugares, subiu, respectivamente, de 9,9 para 10,6 e de 10,3 para 10,9. Dos 21 exames para os quais é possível fazer comparações, registou-se uma subida da média em nove.

Entre as principais descidas contam-se as registadas nas disciplinas de História A e Economia A, com as médias a passarem, respectivamente, de 10,3 para 9,5 e de 12,1 para 11,3.

Este ano realizou-se pela primeira vez um exame de Português destinado a alunos surdos. A média dos 11 alunos que o realizaram foi de 14,4 numa escala de 0 a 20 valores. Este foi o melhor resultado de todos os exames, logo seguido por Português Língua Não Materna (14 valores) e Espanhol (também com média de 14).

Na situação oposta encontra-se a disciplina de História A, do 12.º ano, que com uma média de 9,5 tem o pior resultado do conjunto de exames realizados em Junho. No penúltimo lugar da lista encontra-se História da Cultura e das Artes, do 11.º ano, que se ficou por uma média de 9,6 valores.

Exames em tempo de greve

Os exames do ensino secundário e do 9.º ano, cujas notas serão conhecidas nesta sexta-feira, foram realizados em plena greve dos professores às reuniões de avaliações, o que obrigou o Ministério da Educação a autorizar que os alunos fizessem as provas mesmo sem conhecer as notas que lhes tinham sido atribuídas pelos seus professores. No secundário estiveram nesta situação 36.700 alunos (23% dos cerca de 160 mil que foram a exame). E no 9.º ano foram cerca de 23 mil os estudantes que fizeram as provas finais sem terem notas atribuídas.

A afixação das pautas nas datas anunciadas (nesta quinta e sexta-feira) chegou a estar ameaçada por esta situação, uma vez que os resultados dos exames só podem ser divulgados depois de serem conhecidas as notas internas (dadas pelos professores). Esta imposição visa assegurar que as notas internas não sejam influenciadas pelos resultados dos exames.

Os alunos que foram a exame sem notas atribuídas só conheceram as classificações dos seus professores no início de Julho, quase um mês depois do que é hábito. E tal só acabou por ser possível porque o Ministério da Educação pediu que fossem decretados serviços mínimos para a greve aos conselhos de turma dos anos com exames ( 9.º, 11.º e 12.º) marcada para este mês, o que foi acatado por unanimidade por um colégio arbitral.

Autopropostos e internos

Para os alunos que acabaram por ter uma nota interna negativa, mas só o souberam depois de terem realizado os exames, valerá apenas a classificação obtida nestas provas, tanto para efeitos de conclusão da disciplina em causa, como para efeitos de candidatura ao superior. Segundo o ME, isto acontece porque, em circunstâncias normais, já com notas internas lançadas, os alunos naquela situação só teriam acesso aos exames na condição de autopropostos por terem chumbado na disciplina. E para os autopropostos a nota do exame vale 100%.

Já para os alunos internos (que frequentaram a escola o ano inteiro e concluíram o ano com nota igual ou superior a 10) ela tem um peso de apenas 30% na classificação final.

Os resultados conhecidos nesta quinta-feira mostram de novo que, no geral, as notas dos autopropostos são substancialmente mais baixas do que as dos alunos internos. A Matemática A, por exemplo, a média dos autopropostos ficou-se por 6,1 e a Português não foi além de 7,9.

As únicas excepções a este panorama são as disciplinas de  Inglês e Alemão onde os autopropostos tiveram melhores resultados do que os alunos internos.


Autor: PÚBLICO – Educação




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