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23.07.2012 – 18:55 Por João Pedro Pereira

Uma conta bancária destinada a receber donativos para o site Tugaleaks, que tem divulgado informação sobre actividades como os ataques informáticos do ano passado a sites de partidos e organismos públicos, foi suspensa pelo banco dois dias após a abertura.


A conta foi aberta num banco privado no dia 11 de Julho, em nome de Rui Cruz, o informático e empresário em nome individual que fundou o Tugaleaks, inicialmente uma réplica do site Wikileaks. “O NIB estava já disponível no dia 12 para donativos. No dia 13 fomos contactados para nos informarem de que a conta iria ser suspensa”, explicou Rui Cruz ao PÚBLICO, recusando identificar o banco em causa, por estar ainda à espera, até esta quarta-feira, de resposta a uma carta de protesto que enviou à instituição.

O fundador do site (que é desde Março arguido num processo que está em segredo de justiça) apresentou também uma reclamação na agência bancária onde abriu a conta e uma outra reclamação junto do Banco de Portugal.

De acordo com o relato feito por Rui Cruz, na segunda-feira seguinte ao encerramento dirigiu-se à agência para obter explicações e falou com o gerente, que leu um documento onde era justificada a acção do banco e no qual era citada a lei 25/2008 de 5 de Junho, referente ao “combate ao branqueamento de vantagens de proveniência ilícita e ao financiamento do terrorismo.” A conta não tinha ainda recebido donativos e o montante de depósito inicial foi recuperado através de uma transferência feita por Internet.

Os donativos destinavam-se a despesas relacionadas com o funcionamento do site, que, porém, Rui Cruz diz não conseguir precisar. “Não conseguimos quantificar mensalmente as despesas. Existem despesas fixas como o alojamento web e o domínio [o endereço tugaleaks.com], que são colmatadas em parte com a publicidade no site. As despesas reais são sempre definidas mensalmente, mas variam consoante o aluguer de servidores para alojar documentos, compra de material informático ou fotográfico, cartões de memória, telemóveis ou por vezes pequenas viagens.” Com anúncios publicitários, o site consegue cerca de 40 euros mensais.

Rui Cruz continua a receber donativos – pelos quais assegura que passa recibo – na sua conta pessoal. Por ora, recebeu 50 euros.




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