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A moeda virtual bitcoin, que tem ganho popularidade sobretudo desde a crise bancária de Chipre, ultrapassou a fasquia simbólica dos mil dólares no site Mt.Gox, um dos maiores para compra e venda desta divisa.

A bitcoin, cujo valor tem grandes oscilações em curtos espaços de tempo, tem estado a subir nos últimos dias, na sequência de audições no Senado dos EUA sobre a legalidade da moeda.

No dia 18, o presidente da Reserva Federal Americana, Ben Bernanke, enviou uma carta aberta aos senadores onde, sem referir directamente a bitcoin, argumentou favoravelmente em relação a este tipo de pagamentos electrónicos: “Podem trazer riscos relacionados com a aplicação da lei e com assuntos de supervisão, [mas] também há áreas em que podem ser uma promessa de longo prazo, particularmente se as inovações promoverem um sistema de pagamento mais rápido, mais seguro e mais eficiente.”

No Mt.Gox, as bitcoins atingiram nesta quarta-feira um máximo histórico de 1073 dólares, ou 780 euros. Em média, a divisa esteve a ser transaccionada ao longo do dia por cerca de 712 euros. O Mt.Gox, com sede no Japão, define-se como o maior serviço no mundo de compras e vendas de bitcoins. Há alguns meses, as autoridades americanas apreenderam os fundos de uma empresa subsidiária do Mt.Gox nos EUA, porque esta não estava autorizada a oferecer serviços financeiros. 

A legalidade das bitcoins, e dos serviços que as transaccionam, tem suscitado preocupações. Além disso, a moeda ficou também conhecida por ser usada para compras ilegais em sites que vendiam armas e drogas. É, no entanto, também aceite como pagamento por vários negócios legítimos. No mês passado, um café em Vancouver, no Canadá, instalou uma máquina semelhante a um multibanco que permitia trocar notas de dólar canadiano por bitcoins, e vice-versa.

Na altura da crise em Chipre, a moeda ganhou notoriedade, nomeadamente junto dos meios de comunicação social. A 30 de Março, uma bitcoin valia 70 euros, um valor na altura considerado muito elevado face ao historial. Muitas notícias deram então conta de que a perda de confiança no sistema bancário (particularmente após o anúncio da taxa sobre os depósitos em Chipre) tinha levado a um aumento do interesse por uma forma alternativa de dinheiro, embora não seja claro quanta da procura também se deveu à própria mediatização.

As bitcoins são uma moeda virtual que funcionam de forma descentralizada e que surgiram em 2008, inventadas por alguém sob o pseudónimo Satoshi Nakamoto. Em vez de serem emitidas por uma entidade central, são geradas automaticamente por um sistema ao qual qualquer pessoa pode ligar um computador. As moedas são libertadas periodicamente nesta rede. Para as ganhar, é preciso que o computador resolva uma espécie de problema matemático complexo. O primeiro a resolver recebe as bitcoins, num funcionamento que visa premiar quem tenha investido mais recursos (tempo, electricidade, capacidade de processamento do computador) para obter uma parcela de um bem finito. Isto faz com que o sistema esteja mais próximo da procura de um metal precioso do que da emissão de dinheiro.

O sistema está desenhado para emitir um máximo de 21 milhões de bitcoins – à valorização máxima desta quarta-feira, significaria um pouco mais de 16 mil milhões de euros em bitcoins. Ao ritmo actual, as bitcoins deixarão de ser geradas algures em meados do próximo século.
 
 
 



Autor: Publico.pt – Tecnologia




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