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Há videojogos que captam a atenção do jogador praticamente desde o primeiro minuto. ELOH é um desses. Publicado pela Broken Rules, que já nos tinha oferecido o interessante Old Man’s Journey, o jogo refresca o panorama dos títulos de puzzles nos dispositivos Android e iOS, ficando, no entanto, aquém na longevidade.

Mais do que brilhar forte num único departamento, ELOH afirma-se pela forma inteligente como combina os seus vários componentes, especialmente a jogabilidade com a música e o charme gráfico. Não contando com a pressão de um relógio, há tempo para testar e falhar, para relaxar e simplesmente desfrutar desta maquinação aparentemente natural dos processos.

Começando pela jogabilidade, durante a maior parte da obra terão fazer chegar notas musicais (pequenas esferas) a um determinado objectivo, fazendo-as ressaltar entre vários objectos espalhados pelos cenários. A maior parte do jogo decorre com duas variáveis – laranja e fúchsia – ainda que na parte final seja introduzida uma terceira cor. E, ainda que haja alguns pontos de ressalto fixos, a parte desafiante está obviamente nos objectos com que se pode interagir.

Há a introdução periódica de novas mecânicas, o que evita a estagnação da jogabilidade. Os blocos podem-se mover entre lugares assinalados no cenário, contudo, há máscaras que alteram a cor das esferas, há blocos que podem ser apenas deslizados, entre outras condicionantes do percurso, como barras que podem ser um ressalto ou transpostas dependendo da cor e, mesmo antes do cair do pano, algo que faz as notas desaparecerem num ponto e aparecer noutro ponto do cenário.

Enquanto deslizam pelo cenário até ao seu destino, estes objectos rolantes deixam um pequeno rasto de luz, dando à obra um bailado luminoso que parece recompensar a nossa progressão. Com a passagem do tempo os cenários ficam mais complicados, levando a mais ressaltos e, obviamente, a uma dança visual cada vez mais complexa e fascinante.

São mais de oitenta níveis. No entanto, a longevidade não é muita. O que faz, faz muito bem, todavia, fica a clara sensação de que cada novidade poderia ter sido mais explorada. Nota-se que há o controlo apertado para que ELOH não se torne demasiado complexo e potencialmente frustrante, mas fica a faltar o meio-termo em que os processos poderiam ter sido mais amadurecidos sem complicar em demasia.

Pelo caminho – e acaba por ser este o derradeiro teste à sua qualidade –o jogador sente que as tentativas falhadas o fazem progredir dentro do nível. Ou seja, há quase sempre o aproximar da solução, ajustando mais um objecto e mais uma trajectória até que o nível seja terminado. Este caminho lógico no meio do aspecto musical é um trunfo jogado com uma temporização imaculada.

Não há texto nem vocalização, ou seja, esta dedução e diversão são feitas através do design dos níveis, que é inteligente e faz o jogador sentir-se como tal. As texturas servem sobretudo como pano de fundo à acção, contudo, o desenho das variadas criaturas – ou espíritos bons, segundo a descrição da Broken Rules – com que vamos interagindo e as suas animações têm um carisma gráfico assinado pelo artista Lip Comarella.

Há alguns trechos animados que servem como divisórias entre o avançar da cadência de níveis e onde os visuais pintados à mão ganham uma nova dimensão.
É um grafismo que anda de mão dada com a excelente sonoplastia. Graças ao trabalho do compositor e sonoplasta Scntfc, a banda sonora reage à jogabilidade, ou seja, o ressaltar das esferas coloridas acentua estes sons, tanto que a produtora credita a banda sonora ao citado Scntfc e ao próprio jogador, tamanho é o seu papel na forma como tudo isto soa – ainda melhor quando jogado com um par de auscultadores ligado.

Resumidamente, ELOH conquista desde o início e não larga o jogador até aos créditos finais. Infelizmente, não demora muito para que isto aconteça, pois tudo pode ser terminado num fim de semana. Como uma jogabilidade equilibrada e bem optimizada para os ecrãs tácteis, o departamento técnico é a emoção em cima da lógica.


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




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