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A Magic Leap, uma startup que trabalhou durante anos com grande secretismo e que conta com investimento avultado do Google, lançou o seu primeiro produto: uns óculos de realidade aumentada, que misturam o mundo físico com imagens digitais e que custam perto de 2000 euros.

Chamado Magic Leap One, o aparelho entra num mercado com concorrência de peso. A Microsoft desenvolve e comercializa os HoloLens, que também são óculos de realidade aumentada, ao passo que muitas marcas têm óculos de realidade virtual, nos quais todas as imagens são digitais. O Facebook comprou a Oculus Rift, que faz óculos de realidade virtual, e o Google também já teve o seu projecto de realidade aumentada, os Google Glass, que não tiveram sucesso e estão remetidos para usos de nicho em alguns sectores profissionais. A longo prazo, argumentam os entusiastas, este tipo de tecnologia deverá substituir os ecrãs de computadores e telefones.

A Magic Leap, uma empresa americana, gerou interesse pelo valor elevado de investimento conseguido, bem como pela pouca informação sobre o projecto.

Ao longo dos últimos sete anos, a empresa angariou 2,3 mil milhões de dólares de investimento. Para além do Google, também fazem parte da lista de investidores o grupo de media alemão Axel Springer e o gigante tecnológico chinês Alibaba.

Durante muito tempo, o site da Magic Leap era enigmático quanto ao produto em que estava a trabalhar: “É uma ideia baseada na crença de que as pessoas não deviam ter de escolher entre tecnologia ou segurança, tecnologia ou privacidade, o mundo virtual ou o mundo real”, lia-se há uns anos. Foi só no final do ano passado que a empresa revelou as primeiras imagens do aparelho.

Os óculos Magic Leap One também incluem a possibilidade de disponibilizar áudio aos utilizadores, que podem interagir com o mundo virtual recorrendo um comando. Por ora, estão disponíveis apenas nos EUA e destinam-se a profissionais que queiram começar a trabalhar com a tecnologia. Custam 2295 dólares, cerca de 1980 euros.

Para acompanhar o lançamento, a empresa criou ambientes virtuais, a que chama “experiências”, feitas para demonstrar o potencial da tecnologia. Uma destas experiências foi desenvolvida em parceria com a banda islandesa Sigur Rós e permite ao utilizador ver e ouvir uma série de criaturas feéricas, descritas como tendo “um som e uma personalidade únicos”.

No site, a Magic Leap mostra-se ambiciosa: “Os Magic Leap One são inspirados na fisiologia humana. Fazem o irreal parecer real. E isto é apenas o início.” Porém, as análises da imprensa especializada que teve acesso aos óculos antes do lançamento, notaram que o aparelho não é inteiramente convincente, apesar de superar a concorrência.

“É uma ilusão fascinante e maravilhosa – talvez a melhor que já vi num destes óculos e muito melhor do que ver modelos de realidade aumentada num ecrã de iPhone”, escreveu uma jornalista do site de tecnologia The Verge. “Mas não é o tipo de avanço revolucionário (ou mesmo mágico) que a Magic Leap antecipou durante anos. É uma versão melhor do que já experimentei antes, mas é algo que é ainda um projecto em desenvolvimento.”

“A minha experiência inicial não me deslumbrou, apesar das promessas da Magic Leap”, observou um jornalista do site CNet. “Mesmo assim, vim a pensar que é a melhor experiência com uns óculos de realidade aumentada que já tive.”


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




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