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A Escócia vai ser o primeiro país a leccionar, em todas as escolas públicas, os direitos das pessoas lésbicas, gay, bissexuais, transgénero e intersexo. O plano curricular vai passar a integrar a história dos movimentos que lutam pela igualdade da comunidade LGBTI, bem como discutir formas de explorar a terminologia e a identidade de género e combater a homofobia, bifobia e a transfobia.

O vice-presidente escocês, John Swinney, apresentou no Parlamento, a 8 de Novembro, o relatório e as linhas de recomendação do grupo de trabalho Educação Inclusiva LGBTI. Estabelecido em Abril de 2017, o grupo foi liderado pelos representantes da campanha Time for Inclusive Education (TIE) e juntou dez comissões e associações tanto governamentais como não-governamentais — e até católicas. O governo escocês “aceitou por completo” todas as 33 propostas que resultaram da discussão.

“A Escócia já é considerada um dos países europeus mais progressivos na igualdade das pessoas LGBTI”, começou por dizer o vice-presidente, referindo-se à sua protecção legal. “Estou encantado por anunciar que vamos ser o primeiro país no mundo a introduzir educação inclusiva no currículo escolar.”


Um dos cartazes produzidos pelo governo e pela polícia escocesa, em Setembro último
One Scotland

O governo comprometeu-se a assegurar formação para actuais e futuros professores, melhorar a monitorização para assegurar a inclusão e facilitar o registo de queixas de bullying. As aulas dedicadas à inclusão e igualdade vão ser “transversais a diferentes idades e diferentes disciplinas, agrupadas em vários temas”. Os “factos vão ser apresentados de foram objectiva e sensível”. O objectivo é fazer com que “todos as crianças e jovens LGBTI se sintam seguros, apoiados e incluídos na escola” mas também “apoiar todos os estudantes para celebrarem as suas diferenças, promovendo a tolerância e as relações positivas”.


“Estas recomendações representam esforços para adoptar uma abordagem educacional para lidar com o preconceito contra jovens LGBTI”, escreve a LGBT Youth Scotland, uma das associações de voluntários que trabalha na área da inclusão social. “Os jovens LGBTI dizem sentir-se excluídos ou sub-representados da própria experiência de aprendizagem. A implementação das recomendações do grupo de trabalho são uma excelente oportunidade para assegurar que a Escócia é o melhor país para estas crianças e jovens crescerem e atingirem o seu potencial máximo”, disse o director executivo da organização.

Jordan Daly, co-fundador da TIE, campanha que se iniciou em 2015 e que vê aqui a sua “maior vitoria”, descreveu a aprovação das aulas de inclusão LGBTI como “um momento histórico” para o país que mostra, aos jovens desta comunidade, “que são valorizados na Escócia”. “A educação é uma das principais ferramentas ao nosso dispor para lidar com o bullying, preconceito e discriminação — é assim que se dá forma ao tecido da nossa sociedade.”

A Escócia descriminalizou a homossexualidade apenas em 1980, 13 anos depois da Inglaterra e do País de Gales. Até 2000, era proibido por lei “promover intencionalmente a homossexualidade” nas escolas escocesas.

Em 2016, relembra o Guardian, o antigo líder do Partido Trabalhista Escocês disse que o país tinha “o parlamento mais gay do mundo”, já que quatro dos seis líderes dos principais partidos ali representados se identificavam como lésbicas, gays ou bissexuais. No entanto, o mesmo jornal publicou esta semana uma reportagem que denunciava “o falhanço iminente das propostas de educação sexual” do governo escocês, para as escolas.


Carta dirigida a pessoas racistas, assinada pela polícia e pelo governo escocês
One Scotland

No Twitter, a fotografia de capa da conta oficial do governo escocês é o recorte de uma campanha que procura reduzir o risco dos crimes de ódio. A One Scotland foi lançada em Setembro, em conjunto com a polícia e as mensagens foram difundidas na televisão, rádio, redes sociais, jornais e nas ruas. 

Assinadas em nome da Escócia, as cartas transformadas em cartazes desafiam as pessoas “racistas, transfóbicas ou homofóbicas” a “examinarem o seu ódio” e impele os cidadãos a reportarem estes crimes”. No último ano, a polícia recebeu mais de 5300 queixas de crime de ódio. “No entanto, há muitos mais incidentes não reportados”, avisam. A carta escolhida para o Twitter diz simplesmente assim: “Queridos transfóbicos, nós temos fobia ao vosso ódio. Tua, Escócia.”


Autor: PÚBLICO – Educação




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