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21

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Depois do escândalo com a Cambridge Analytica que estalou em Março, o Facebook suspendeu agora outra empresa de análise de dados, a americana Crimson Hexagon, para investigar suspeitas de partilha de informação de utilizadores da rede social.

Baseada em Boston, nos EUA, a Crimson Hexagon descreve no seu site que tem acesso a milhares de milhões de conversas de consumidores em redes sociais, fóruns ou blogues. “A Crimson Hexagon ajuda as marcas internacionais a perceber melhor os seus consumidores”, anunciam.

Esta medida surge na sequência de uma investigação do jornal financeiro norte-americano Wall Street Journal, que afirma que entre os clientes da empresa sob suspeita estão uma organização não-governamental com laços ao Kremlin e múltiplas agências governamentais americanas. A Crimson Hexagon tem ainda contratos comercias com empresas como a Adidas, a Samsung e a radiotelevisão britânica BBC. 

Embora não tenha encontrado provas de que os dados tenham sido adquiridos de forma indevida, o Facebook está a analisar se algumas práticas da empresa violaram as suas políticas, nomeadamente se terão sido criadas ferramentas para espiar utilizadores e recolher os seus dados de forma indevida.

“Não permitimos que sejam usadas ferramentas de vigilância usando informação do Facebook ou do Instagram”, disse um porta-voz do Facebook na sexta-feira. “Levamos estas alegações a sério e suspendemos estas aplicações enquanto estamos a averiguar”, disse.

O director de tecnologia da Crimson Hexagon respondeu na sexta-feira, num blogue, sem se referir especificamente ao caso: “A Crimson Hexagon só recolhe dados públicos que estão disponíveis nas redes sociais e a que qualquer pessoa pode aceder. O problema central não está numa empresa específica de análise de dados, ou até numa rede social especial como o Facebook. Está no papel geral e no uso de dados online que são públicos.”

Segundo um porta-voz do Facebook disse à BBC, as duas empresas irão ter uma reunião em breve.

“As pessoas podem partilhar a sua informação com os técnicos do Facebook e Instagram, assim como acontece quando fazem download de uma aplicação no seu telefone”, sublinha Ime Archibong, responsável pelas parcerias do Facebook, citado pela BBC. É permitido, segundo afirma, usar “informação pública ou agregada para produzir informação anónima com objectivos comerciais”.

Recentemente, a agência britânica de protecção de dados, a Information Commissioner’s Office (ou ICO, na sigla original), multou o Facebook em 565 mil euros (500 mil libras), responsabilizando a rede social por duas falhas de segurança. 


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




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