Set
3

0


“No nosso país, os professores podem até chegar à reforma e ainda estarem contratados”, lamentou esta segunda-feira Mário Nogueira, em Lisboa, durante uma iniciativa destinada a assinalar o dia em que os professores devem apresentar-se nas escolas, estando muitos a “apresentar-se nos centros de emprego”.

O líder da FENPROF exigiu que o ministro da Educação, Nuno Crato, “honre o compromisso que assumiu na Assembleia da República”, relativamente à vinculação de professores: “Se não for capaz de o fazer, tem de ser capaz de se pôr a andar”.

Nogueira afirmou que, nos últimos seis anos, se reformaram mais de 25.000 professores, tendo entrado nos quadros apenas 396.

Tal como noutros pontos do país, vários professores dirigiram-se esta segunda-feira à Loja do Cidadão, no bairro das Laranjeiras, em Lisboa, muitos com mais de dez anos de serviço.

Maria Silva é uma dessas professoras. Há 12 anos que dá aulas de Português, mas já não é a primeira vez que não consegue colocação. Tem ainda esperança nas ofertas de escolas, mas diz que este ano o processo está a decorrer de forma diferente e não sabe o que pensar.

Na mesma situação está o professor de Matemática Carlos Vasconcelos, há 20 anos no sistema, embora não tenha o tempo completo, porque nem sempre o horário conseguido abrangeu todo o ano letivo.

Dá aulas no 3.º Ciclo e no Ensino Secundário. Ainda tem a oportunidade das ofertas de escola, mas diz que as perspetivas “não são brilhantes”.

Na iniciativa promovida pela FENPROF, estiveram também representantes do Grupo de Professores Contratados e Desempregados que, no ano passado, ocupou simbolicamente o Ministério da Educação.

“Temos muito baixas expectativas, sabemos que este ano foram colocados menos 5.000 professores do que no ano passado e menos 10.000 em relação ao ano anterior”, disse à agência Lusa um dos porta-vozes, Miguel Reis.

Mário Nogueira lembrou que, no setor privado, ao fim de três anos de serviço, os docentes são integrados no quadro.




Deixe o seu comentário