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O Google está a ser alvo de críticas porque com a mais recente actualização do navegador Chrome, lançada este mês, sempre que alguém entra num site da empresa (por exemplo, o Gmail ou o YouTube), o navegador aproveita-se das credenciais de acesso para se ligar ao sistema de Contas do Google.

Isto permite que um utilizador possa ter acesso ao seu histórico de navegação, lista de sites favoritos, e palavras-passe em qualquer computador com o navegador Chrome, porque a informação fica armazenada nos servidores da empresa. A equipa do Google veio clarificar que o processo de sincronização só começa depois de uma autorização adicional, mas o secretismo por detrás da actualização tem sido muito criticado nas redes sociais.

Sem nenhum alerta por parte do Google, o único sinal de que aceder ao YouTube é agora equivalente a entrar no sistema de Contas do Google é a fotografia do utilizador que surge sempre no canto superior esquerdo da barra de navegação, independente do site que se está a visitar.

Foi o profissional de criptografia Matthew Green, que dá aulas na Universidade John Hopkins, nos EUA, que primeiro alertou para a mudança. “Durante dez anos, tenho recebido uma mensagem recorrente do Google Chrome ‘Quer entrar com a sua conta do Google?’ e há dez anos que digo ‘Não, obrigado’. O Google ainda me faz a pergunta – mas agora não a respeita”, criticou Green, numa publicação no seu blogue.

Para o professor, o novo sistema do Google pode colocar em risco a privacidade das pessoas que, por exemplo, se esquecem de sair da sua conta do YouTube num computador público. Aos olhos da equipa do Chrome, porém, as mudanças vêem prevenir esse mesmo problema.

“Criámos a modificação para evitar surpresas em cenários em que os computadores são partilhados”, explica a engenheira do Chrome Adrienne Porter Felt, numa resposta a Green no Twitter. O objectivo é impedir que as pessoas se esqueçam que estão a usar uma conta do Chrome quando estão a utilizar outros sites fora do Google. Agora, têm sempre um ícone com a fotografia na barra de endereços.

Caso o utilizador queira desactivar o sistema de sincronização, basta carregar por cima do ícone da sua conta na barra de navegação e escolher essa opção. Ao fazer isto, o Google alerta, porém, que “os dados já existentes continuarão armazenados na Conta do Google e poderão ser gerenciados no Painel do Google”. Nas definições, qualquer pessoa pode ainda personalizar as informações específicas que pretende sincronizar: ou seja, pode-se escolher guardar os sites que são visitados, mas não as palavras-passe utilizadas em diferentes computadores.

Para Matthew Green, a falta de transparência é o maior problema da actualização. “Enquanto o Facebook é conhecido por regularmente mudar as definições de privacidade e pedir desculpa depois, o Google têm mantido as suas politicas de privacidade”, escreve Green. “Isto parece estar a mudar. A reputação do Google foi conquistada lentamente, mas pode facilmente cair por terra. Mudanças assim podem queimar muita confiança por parte dos utilizadores.”


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




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