Out
11

0


O Google está a lutar contra a multa recorde de 4340 milhões de euros aplicada pela Comisão Europeia em Julho. A tecnológica apresentou um recurso contra a sanção de Bruxelas, imposta devido a práticas anticoncorrenciais com o sistema operativo Android, que é usado na maioria dos telemóveis. 

O pedido da empresa não interrompe o processo iniciado pelo regulador europeu: o Google continua a ter até ao final de Outubro para actualizar o Android e incluir as exigências de Bruxelas ou pode enfrentar multas de até 5% da receita diária da Alphabet (a empresa mãe do Google).

O PÚBLICO contactou o Google, que disse não ter nada a acrescentar ao anúncio do recurso.

O sistema operativo Android, de acordo com dados de 2017 da analista IDC, é utilizado em 85% dos telemóveis. A União Europeia diz que o Google se aproveita desta posição no mercado para pressionar os fabricantes dos aparelhos a pré-instalar o motor de busca da empresa, bem como o navegador Chrome e a loja de aplicações do Google.

Em Julho, Margrethe Vestager, a comissária que tutela a pasta da Concorrência na Comissão Europeia, disse que as práticas do Google “negam aos rivais a oportunidade de inovar e competir.”

O Google tem criticado a decisão desde do início, com o actual presidente executivo, Sundar Pichai, a dizer que a Comissão “interpreta mal a amplitude de escolha que o Android proporciona”. Para Pichai, “por causa do Android, [o consumidor] tem uma escolha de entre 24 mil equipamentos, com todo o tipo de preços, de mais de 1300 marcas diferentes.”

O Google acrescenta que nenhuma versão do sistema operativo Android previne os utilizadores de instalarem outro motor de busca. Porém, a comissária Margrethe Vestager frisa que apenas 1% dos utilizadores instala outra aplicação para pesquisar na Internet.

A multa de Julho não é a primeira vez que o Google se debate com problemas regulatórios na União Europeia. Em 2017, a empresa recebeu outra multa por abuso de posição dominante. Na altura, o valor foi de 2400 milhões de euros e o problema era um serviço de comparador de preços chamado Google Shopping. Ao pesquisar um produto no motor de busca, e antes de chegar aos resultados, a página mostrava uma lista de produtos e respectivos preços. Para a Comissão Europeia, a prática dissuadia o utilizador de recorrer a outro serviço.

Uma terceira investigação da União Europeia ao Google ainda está a decorrer: o objectivo é perceber se o Google impede rivais do motor de busca de serem usados em sites que usam a plataforma de publicidade da multinacional americana.


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




Deixe o seu comentário