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Envergonhar propositadamente alguém numa rede social é uma forma de assédio. Perseguir um participante em caixas de comentários de jornais, também. Reagir intempestivamente após perder um jogo online, mesmo um jogo de cariz violento, com ameaças à integridade física do oponente, é outra forma de assédio. Parece exagerado? Não é.


O Pew Research Center debruçou-se sobre a questão do assédio online no seu
mais recente estudo e muitos foram os cibernautas que consideraram qualquer uma das acções descritas acima como actos persecutórios. Há tipos mais óbvios – como o recurso a nomes ou qualificativos ofensivos – e mais graves – como o assédio sexual e a perseguição. Mas todos contam para o número de pessoas que dizem já ter vivido alguma forma de assédio: 40%.

O espectro aumenta consideravelmente quando a questão é sobre a observação de algum destes comportamentos: 73% afirmaram já tê-los testemunhado pelo menos uma vez. Na maioria, insultos (60%) e esforços para envergonhar alguém (53%). No entanto, as ameaças corporais (25%), o assédio durante um certo período (24%), o assédio sexual (19%) e a perseguição (18%), apesar de serem menos correntes, são práticas com taxas de incidência inquietantes.

Os investigadores do instituto norte-americano inquiriram 2849 adultos utilizadores da Internet, recorrendo a uma amostra representativa da população dos EUA. O que significa que os processos de intimidação entre adolescentes foram deixados de fora (ainda que, em 2012, o Pew Research Center tenha chegado à conclusão de que é mais provável que os adolescentes sejam expostos a este tipo de comportamento nocivo nas redes sociais do que os adultos).

Entre os 40% de inquiridos que afirmaram já ter sido vítimas de alguma forma de assédio online, 27% disseram ter sido alvo de linguagem ofensiva, 24% tiveram alguém a envergonhá-los deliberadamente, 8% foram ameaçados fisicamente, 8% foram perseguidos, 7% assediados durante algum tempo e 6% enfrentaram casos de assédio sexual.

A perseguição e o assédio sexual são os mais graves dos seis tipos de assédio considerados e são os únicos em que as mulheres superam os homens no número de ocorrências. Esta realidade agrava-se quando se trata de mulheres com idades entre os 18 e os 24 anos, o grupo “desproporcionalmente” mais fustigado nestes casos. Nesta faixa etária em particular, as mulheres também superam os homens no que diz respeito ao assédio continuado.

Ainda assim, é mais provável um homem ser exposto a pelo menos um tipo de assédio do que uma mulher (44% contra 37%). E são as redes sociais os locais com maior número de incidentes reportados (66%). Seguem-se as caixas de comentários (22%), os jogos online (16%), as contas pessoais de e-mail (16%), os fóruns (10%) e os sites e aplicações de encontros (6%).

A resposta mais comum dos cibernautas é ignorar o ataque (60% dizem tê-lo feito nos casos mais recentes). O confronto com o oponente já foi opção para 47% dos inquiridos e 44% dizem ter bloqueado ou “desamigado” o atacante. Há quem se queixe aos responsáveis dos sites (22%), quem tente recolher apoio de outros cibernautas (18%), quem mude de nome de utilizador ou apague a conta (13%), quem abandone fóruns (10%), ou mesmo quem deixe de frequentar alguns espaços ou eventos offline (8%). No entanto, só 5% dos casos chegam às autoridades policiais.



Autor: Publico.pt – Tecnologia




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