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O nome de Marine Le Pen regressou à lista dos oradores da Web Summit. Tinha sido retirado neste fim de semana, após notícias que davam conta de que a líder do Reagrupamento Nacional, um partido de extrema-direita francês, viria a Portugal para participar naquele que é um dos maiores eventos de tecnologia do mundo.

A Web Summit está agendada para Novembro, em Lisboa, e deverá reunir dezenas de milhares de participantes. Embora tenha começado como um encontro de tecnologia, as edições mais recentes levaram ao palco políticos e celebridades, no que se tem vindo a assemelhar mais a um fórum de ideias. Le Pen surge a par de figuras como os comissários europeus Margrethe Vestager e Carlos Moedas, o co-fundador do Twitter Evan Williams, o inventor da World Wide Web, Tim Berners-Lee, múltiplos executivos de empresas e alguns ex-governantes.

A presença de Le Pen no evento suscitou várias críticas. O deputado socialista João Galamba escreveu no Twitter: “Não se juntam, não, que a gente não aceita. Normalização de fascistas já ultrapassa em muito o aceitável”. Também o líder do partido Livre, Rui Tavares, afirmou que “a cidade não pode ficar quieta perante a tentativa de lá dar palco a uma das maiores representantes da xenofobia e do fechamento”. Já a associação SOS Racismo defendeu “a retirada do convite à líder da extrema-direita francesa e que todas as entidades envolvidas na organização da Web Summit tomem publicamente posição”. A associação argumentou que “não se trata de escolher entre liberdade de expressão e censura, mas sim entre a democracia e o ódio racial”.

O PÚBLICO contactou a organização do evento, mas não obteve esclarecimentos sobre a presença de Le Pen e o facto de o nome ter sido brevemente retirado da lista. Perguntas enviadas à equipa de Le Pen não tiveram resposta. O gabinete do primeiro-ministro disse que não ia comentar o assunto. António Costa tem sido um entusiasta da Web Summit e esteve presente nas anteriores sessões de abertura do evento.

A Web Summit serve para múltiplas startups, que se acotovelam em pequenas bancas no recinto, tentarem encontrar clientes e investidores. Mas a presença de nomes sonantes também tem sido um dos trunfos do evento para atrair participantes – e cobrar pelo acesso privilegiado aos políticos e executivos convidados. O bilhete mais caro é o único que dá acesso ao espaço com sofás, comida e bebida onde os oradores circulam. Custa praticamente 25 mil euros.

Esta será a terceira edição em Portugal, cumprindo-se assim o compromisso da organização de fazer a Web Summit em Lisboa durante três anos. O acordo prevê a possibilidade de mais dois anos em Portugal, mas há várias cidades na corrida para acolher o evento


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




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