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Ao pesquisar por Matrix no Netflix (o popular serviço de vídeo online que está prestes a chegar a Portugal), o filme em que a humanidade vive numa realidade virtual não aparece entre os resultados. É um dos que não estão no catálogo a que os clientes portugueses poderão aceder. Mas os resultados da pesquisa mostram vários outros filmes de ficção científica. A lógica é a de que se alguém quer ver o Matrix, provavelmente vai estar interessado em filmes do mesmo género.


O Netflix não perde uma oportunidade para mostrar aos utilizadores conteúdos em que estes possam ter interesse. Acontece assim que se entra no serviço, com o primeiro ecrã a mostrar listas de filmes e séries, personalizadas para cada pessoa — pode ser um episódio que ficou a meio ou um trabalho de um realizador de que já se viram vários outros filmes. E, se uma pesquisa é uma forma directa de dizer ao sistema aquilo que se procura, há muitas outras acções que os algoritmos registam e usam depois para fazer recomendações e influenciar aquilo que o utilizador vê. Em regra, apenas 20% dos filmes e séries a que um utilizador assiste foram encontrados através de uma pesquisa. O resto são sugestões feitas pelos programas de computador.

“Registamos imensos dados. O que as pessoas vêem, onde fazem pausas, onde passam para a frente. Encontramos outros utilizadores com o mesmo comportamento e vemos que vídeos esses utilizadores escolheram”, explica Carlos Gómez-Uribe, vice-presidente do Netflix responsável pela inovação e pelos algoritmos de recomendação. A conversa, num hotel em Lisboa, faz parte da preparação da empresa para lançar o serviço em Portugal, ao mesmo tempo que chegará também a Espanha e Itália, naquela que é uma nova fase de expansão europeia.

A estreia no mercado português está marcada para Outubro. Porém, não há ainda uma data concreta e o catálogo de filmes também não está totalmente definido, diz Gómez-Uribe. A empresa não divulgou oficialmente os preços, mas as assinaturas custam entre 7,99 euros e 11,99 euros por mês nos restantes países da moeda única. O preço varia consoante a qualidade da imagem e o número de aparelhos que podem ser usados ao mesmo tempo.

Para quem acompanha o percurso internacional da empresa — que começou como um distribuidor de filmes em DVD que podiam ser encomendados online —, não é uma novidade que esta recorre a poderosos algoritmos de recomendação para manter os utilizadores interessados. Em 2013, a série House of Cards, protagonizada por Kevin Spacey, foi encomendada pelo Netflix numa decisão que assentou no enorme manancial de dados que a empresa recolhe: que tipo de episódios são mais vistos (e quando); que tipo de séries são mais populares; que actores e realizadores têm a preferência de que tipo de público; que cenas são revistas e quais as que são passadas em fast forward. A lista poderia continuar.

House of Cards foi um enorme sucesso e depressa lançou o debate sobre se o trabalho de criar argumentos e realizar filmes ou séries passaria a ser assistido por computadores que analisam gigantescas bases de dados em busca de pistas que assegurem (ou, pelo menos, indiciem) viabilidade comercial. “É um problema mais difícil perceber qual vai ser o desempenho de um novo programa do que saber que vídeos recomendar”, diz Gómez-Uribe. House of Cards, tal como Orange Is the New Black (outra série de sucesso do Netflix) não deverão estar inicialmente disponíveis em Portugal, uma vez que os direitos foram vendidos a canais de televisão.

A chegada do Netflix a Portugal já motivou uma reacção da Nos, que anunciou um serviço de assinatura, chamado N Play, que permite ver vídeos e séries em quantidade ilimitada, através de um custo mensal de 7,5 euros. Estará disponível apenas para os clientes da operadora. A multinacional americana está numa fase de expansão internacional e chegou no final do ano passado a alguns dos maiores mercados europeus, entre os quais a França e a Alemanha. Antes disso, já se tinha estreado no Reino Unido e nos países nórdicos. Também está em toda a América, bem como na Austrália e Japão. A facturação, porém, é feita sobretudo nos EUA, onde estão dois terços dos utilizadores pagantes e quase 70% das receitas.

No final do primeiro semestre, o serviço tinha 63 mil clientes e um volume de negócios de 1481 milhões de dólares (cerca de 1313 milhões de euros).




Autor: Publico.pt – Tecnologia




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