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“Não posso crer que uma resposta cientificamente incorrecta seja considerada correcta”. A crítica foi endereçada ao Gave pelo professor da Universidade de Coimbra Luís Lemos. Na pergunta 7 do Grupo III do exame realizado no dia 16 de Julho pedia-se aos alunos para ordenar as letras de A a G, de modo a reconstituir a sequência cronológica de alguns fenómenos envolvidos na ocorrência de um sismo.

Segundo Luís Leal, a resposta proposta está errada no que respeita à alínea correspondente à “propagação das ondas superficiais”. “Um bom aluno que pense e responda através de um critério científico aprofundado terá a resposta errada. Estou indignado”, escreveu por e-mail ao PÚBLICO. Na resposta que lhe endereçou, o Gave reitera que a solução que apresentou “é a correcta”.

A Associação de Professores de Biologia e Geologia também já tinha aconselhado a anulação de uma outra questão deste exame (pergunta 7 do grupo IV), por considerar “não existir sustentação científica para a resolução proposta pelo Gave”, o que foi rejeitado pelo ministério. Ambas as questões valiam cinco pontos. Na prova da segunda fase, a média total foi de 10,1, mas a dos alunos internos, que são aqueles que frequentam as aulas o ano inteiro, ficou nos 9,8. No ano passado em ambos os casos foi, nesta fase, de 8,8

Na segunda fase, uma das respostas apresentadas para o exame de Geografia A, realizado pelos alunos do 11.º ano, suscitou dúvidas a muitos estudantes. Questionada pelo PÚBLICO, a Associação de Professores de Geografia garantiu que a resposta proposta está correcta. Na pergunta 3 do grupo I pedia-se que, entre quatro esquemas, se identificasse qual o que correspondia à “variação mais frequente da temperatura num lugar sujeito à passagem de uma perturbação da frente polar”.

Muitos estudantes optaram pela figura que apontava uma variação gradual, quando a correcta é a que apresenta um aumento brusco de temperatura. “Qualquer lugar é afectado, em primeiro lugar, pelo sector anterior da massa de ar polar a que se segue a passagem da frente quente da perturbação frontal, ou seja, o ar tropical, mais leve, “cavalga” gradualmente sobre o ar polar. Esta passagem ocasiona aumento da temperatura e precipitação específica”, esclarece a associação de professores. “Criaram talvez um grau de dificuldade excessivo”, admitiu a presidente da associação, Emília Sande Lemos. A responsável acrescenta, contudo, que esta questão poderá “fazer brilhar os bons alunos” e que o incremento da qualidade de ensino não se consegue através de questões básicas. A média neste exame foi, na segunda fase, de 10,6, menos duas décimas do que a alcançada na primeira leva.




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