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Portugal é dos países da União Europeia (UE) onde menos alunos estudam duas ou mais línguas estrangeiras no ensino secundário. São menos de 10% quando a média na UE é de 51,2%, segundo revela um estudo sobre o ensino de línguas estrangeiras divulgado nesta quinta-feira pela rede europeia Eurydice.

No conjunto dos países da UE, o ensino de duas línguas estrangeiras só é obrigatório durante um período de tempo da escolaridade obrigatória, que varia entre um ano na Noruega e os oito anos na Roménia, Suíça, Islândia ou Sérvia. Em Portugal este período é de três anos, os correspondentes ao 3.º ciclo. Nos dois primeiros anos do secundário, os alunos portugueses só são obrigados a estudar uma língua estrangeira, mas podem aprender mais outro idioma como disciplina de opção.

Na Irlanda, Grécia e Reino Unido também menos de 10% dos alunos do secundário estudam duas línguas ou mais. Em contrapartida, em 11 países esta percentagem sobe para os 90%. É este o caso, entre outros, da Finlândia, Roménia, França, República Checa e Croácia.

“Competência essencial na Europa”

A vontade de aprender uma segunda língua estrangeira continua a ser bastante baixa”, aponta a Comissão Europeia numa nora divulgada a propósito do estudo da rede Eurydice e na qual o comissário para a Educação e Juventude, Tibor Navracsics, enfatiza o seguinte: “ Falar diferentes línguas tornou-se uma competência essencial na Europa, não só para arranjar trabalho como também para participar na sociedade”.

Mas na UE a percentagem de alunos que estudam duas ou mais línguas estrangeiras desceu 11 pontos entre 2005 e 2014. Em Portugal esta descida foi superior a 10 pontos, estando entre os cinco países com uma maior quebra. Os outros são a Dinamarca, Lituânia, Holanda e Suécia.

Por outro lado, Portugal é dos três países da UE em que não é obrigatório estudar uma língua estrangeira até ao final do secundário. Os outros são Malta e o Reino Unido. Por cá, a obrigação de estudar um idioma estrangeiro termina no 11.º ano.

Portugal é também dos poucos países onde o ensino de uma língua estrangeira começa mais tarde e isto apesar do ex-ministro Nuno Crato ter tornado obrigatório o ensino de Inglês a partir dos 8 anos (3.º ano de escolaridade), o que começou a acontecer em 2015/2016. Na maioria dos países europeus esta experiência começa logo no primeiro ano da escolaridade obrigatória. Na Polónia e no Chipre o ensino de um idioma estrangeiro é obrigatório a partir dp pré-escolar.

O Inglês continua a ser a língua estrangeira mais estudada nos países da União Europeia. No 3.º ciclo, quase todos os alunos (97,3%) estudam este idioma. O Francês vem em segundo lugar, mas a uma grande distância, reunindo apenas 33,3% dos alunos. O Alemão (123,1%) e o Espanhol (13,1) são as outras duas línguas mais populares.

Inglês é obrigatório

Do 1.º ao 3.º ciclo, o Inglês é uma componente obrigatória do currículo português. Dados recentes da Direcção-Gaeral de Estatística da Educação e Ciência mostram que no 2.º ciclo o Inglês é, a seguir à Matemática, a disciplina com mais alunos a ter negativa.

No conjunto dos países da UE, a popularidade do ensino de Espanhol tem vindo a aumentar no 3.º ciclo e em particular na Noruega, Irlanda, Itália e Portugal. Pelo contrário, o Francês continua por cá em quebra. A percentagem de alunos que estuda este idioma no 3.º ciclo desceu de 88,1% em 2005 para 64,7% em 2014. No ensino secundário a quebra foi de 16,3 pontos percentuais.

Já em Itália a tendência tem sido a inversa, em 10 anos, a percentagem de alunos do 3.º ciclo que escolheram estudar Francês passou de 46,3% para 67,7%. Também a Noruega se destaca, mas neste caso no que respeita ao Espanhol. Em 10 anos a proporção de alunos noruegueses que escolhem o espanhol passou de 3,5% para 32%.

Autor: Publico.pt – Educação




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