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Os sindicatos de professores decidiram não avançar com uma greve às avaliações do 3.º período, optando por acções de visibilidade nas ruas, já na campanha para as europeias, e acções em tribunal, entre outras.

“A luta aconselha neste momento a não desgastar os professores com acções que se arrastam no tempo sem ter um interlocutor válido à vista”, justificou o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, lembrando que as legislativas se realizam já em Outubro e que a decisão do Parlamento nesta legislatura já foi tomada, com o chumbo das pretensões dos professores na semana passada. Foi o culminar que Nogueira classificou como uma das “mais tristes cenas da política portuguesa”, consubstanciada a 3 de Maio pelo anúncio de António Costa de que se demitiria caso a contagem integral do tempo de serviço dos professores fosse aprovada pelo Parlamento e que levou todos os outros partidos a mudar de posição. 

A decisão dos sindicatos consta de uma declaração conjunta das dez estruturas sindicais entregue aos jornalistas numa conferência de imprensa nesta quarta-feira, em Lisboa.

Mário Nogueira disse que a reivindicação do tempo de serviço na íntegra, chumbada no Parlamento no dia 10, “é um processo de luta, não é um momento” e que as organizações sindicais “estão confiantes” que irão atingir o objectivo na fase de luta que agora se inicia. 

Os sindicatos de professores tinham equacionado fazer greve às avaliações a partir de 6 de Junho. No início do mês, Mário Nogueira explicava que o o pré-aviso de greve poderia ser entregue até dia 22 de Maio.

Na conferência de imprensa desta quarta-feira, e à semelhança do que fizera logo após o chumbo pelo Parlamento, Nogueira voltou a citar Mário Soares, afirmando que “só é vencido quem desiste de lutar”, para acrescentar que tal não acontecerá com os professores. “Não vamos baixar os braços”, garantiu já depois de ter manifestado esperança de que os portugueses acabarão por entender de que “lado está a razão”: “Está do lado de quem quer roubar ou do lado de quem trabalhou?”

A este respeito, o líder da Fenprof sublinhou que “apesar de toda a manipulação” desenvolvida pelo Governo, a proporção de portugueses que afirma concordar com Costa é apenas superior em cinco pontos da que manifestou a sua discordância. Nogueira referia-se a uma sondagem da  Aximage onde 49% da amostra de inquiridos consideram que António Costa fez bem ao ameaçar demitir-se; 44% dos que responderam consideram, por outro lado, que António Costa procedeu mal, enquanto os restantes 7% não responderam.

No ano passado, os sindicatos convocaram greves às reuniões de avaliação, que acabariam por ser contornadas, mais de um mês depois do seu início, pelo estabelecimento de serviços mínimos – que o Tribunal da Relação de Lisboa acabaria por considerar ilegais, meses depois.


Autor: PÚBLICO – Educação




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