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O plano inicial era celebrar o Dia Mundial do Professor com uma distribuição de livros pela baixa de Lisboa mas a iniciativa acabou por se transformar numa manifestação com milhares de docentes aos gritos, a protestar contra os atrasos nas colocações e a pedir a demissão do ministro Nuno Crato. A meio do desfile, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, anunciou que vai ser feita uma “auscultação” aos professores para decidir que formas de luta pretendem protagonizar no futuro. A distribuição de um questionário individual elaborado pela plataforma sindical que une sete organizações começou logo no fim do desfile, no Largo de Camões.


“Viemos aqui para assinalar o Dia Mundial do Professor, mas, depois do que se passou na sexta-feira, temos motivos acrescidos [para protestar]”, explicava Mário Nogueira. Desta vez serão os professores a ditar, nas próximas semanas, que formas de luta preferem. O questionário prevê várias, desde protestos nas deslocações de governantes ou manifestações nacionais.  ”Acredito que as lutas são mais fortes e mais eficazes quando resultam da definição de objectivos por quem as faz. Queremos que as reivindicações dos professores e as suas lutas sejam definidas de baixo para cima e não de cima para baixo”, explicou o dirigente sindical à Lusa.  

Ao início da tarde de domingo, milhares de professores começaram a desfilar desde o Rossio até ao Largo de Camões, criticando as políticas do Governo e reclamando a saída de Nuno Crato.  A organização tinha pedido que cada um trouxesse um livro para distribuir pela população. Vindos de vários pontos do país, muitos decidiram trazer também bandeiras sindicais e não paravam de gritar palavras de ordem. “Crato rua, a escola não é tua”, “É preciso, é urgente, uma política diferente”, “Educação é um direito, sem ela nada feito”, eram algumas das frases ouvidas, intervaladas com gritos de “demissão, demissão”.

 Mas foram as críticas aos atrasos na colocação de professores a marcar o tom dos protestos. Na sexta-feira, vários agrupamentos de escolas  receberam orientações do Ministério da Educação para anularem as listas de ordenação anteriores e anularem as colocações de professores do concurso da Bolsa de Contratação de Escola, horas antes da divulgação das novas listas. Isto aconteceu depois de terem sido detectados erros que levaram à demissão do antigo director-geral da Administração Escolar.

“O que se passou esta semana demonstra a incapacidade e incompetência do Governo”, ciriticou o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, à frente da delegação da central sindical que se associou à manifestação de professores, enquanto Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos sindicatos da Administração Pública, defendia que “a destruição da escola pública é um dos objectivos do Governo” . Para a deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins, também presente, cabe ao Ministério da Educação “pagar os erros”. Solídário com a luta dos professores, Arménio Carlos notou ainda que “primeiro-ministro dizia recentemente que este tinha sido o melhor início do ano escolar e o que nós estamos a constatar é que este é o pior dos últimos três anos”

Além dos problemas provocados pelos erros na ordenação dos professores candidatos à Bolsa de Contratação de Escola, os docentes manifestaram-se contra a redução progressiva do financiamento do sector, a falta de auxilaires nas escolas, a inexistência de apoios a alunos com necessidades educativas especiais e o agravamento das condições de exercício da profissão.  

Na convocatória do desfile, a Fenprof já explicava que este mês haverá um “processo de auscultação” dos docentes em todo o país, envolvendo as várias estruturas sindicais, através da distribuição de um questionário de preenchimento individual. A este questionário vão somar-se “centenas de reuniões” nas várias regiões do país e, destas iniciativas, resultarão “indicadores importantíssimos para o desenvolvimento de processos reivindicativos”.




Autor: Publico.pt – Educação




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