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Houve menos cerca de 3000 estudantes a candidatarem-se à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, segundo mostram os resultados divulgados nesta quarta-feira.

O prazo do concurso, que arrancou a 18 de Julho, terminou nesta terça-feira. A quebra de procura já tinha sido antecipada pelo PÚBLICO na semana passada (quando se estimava que seria possível acabar o prazo de candidaturas com até menos cinco mil candidatos do que em 2017). Na altura, responsáveis do ensino superior apontaram os maus resultados nos exames nacionais (que servem para concluir o secundário e como provas de ingresso no superior) como sendo uma das principais razões para a diminuição.

Numa nota publicada nesta quarta-feira, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) atribui a descida ao facto de menos estudantes terem este ano realizado os exames do secundário. “Os resultados no final desta 1.ª fase de candidaturas revelam que o número total de candidatos diminui 5,6% face ao ano anterior, uma redução equivalente ao número de estudantes do 12.º do ensino secundário inscritos em 2018 nos exames nacionais”, que passou de 90.467 para 87.765, afirma o ministério.


O MCTES vai mais longe nesta relação, dando conta de que o número de candidatos a universidades e politécnicos públicos (49.624) representa cerca de 57% do número de inscritos nos exames nacionais do 12.º ano (87.765). Frisa ainda que este é o quarto ano consecutivo em que a percentagem “de candidatos ao ensino superior público em relação ao número de alunos do 12.º ano inscritos em exames nacionais é superior a 55%”.

Na 1.ª fase do concurso de acesso só podem ser utilizadas as notas obtidas nos exames nacionais também da 1.ª fase. Na semana passada ficou também a saber, por via do Ministério da Educação, que mais de metade dos alunos que realizaram o exame de Matemática A do 12.º ano em Junho, uma das provas mais utilizadas no acesso, repetiram a prova na 2.ª fase por terem chumbado à 1.ª tentativa ou por necessitarem de subir a nota.

Analisando o que se passou ao longo de dez anos (2009-2018), conclui-se que aquele que registou mais candidatos na 1.ª fase foi o ano de 2009 (com 52.812) e aquele que teve menos foi 2013 (com 40.419 candidatos).

Este ano estavam em jogo 50.852 lugares. Quem se candidatou na 1.ª fase do acesso ao superior ficará a saber a 10 de Setembro se ficou colocado e em que condições. Logo a seguir, a 18 de Setembro, abrirá a 2.ª fase, onde geralmente já não existem vagas disponíveis para os cursos mais cobiçados. E por fim, entre 4 e 8 de Outubro, realiza-se a 3.ª e última fase do concurso nacional.

O ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, considerou também nesta quarta-feira, em declarações à Lusa, que a diminuição, em cerca de três mil, do número de candidatos às universidades e politécnicos mostra que está a surgir um “novo padrão” de estudantes em Portugal, que estará a ser potenciado pela retoma económica: os que preferem começar a trabalhar e prosseguir estudos mais tarde.

“Não é uma situação alarmante, de forma alguma, até pode ser um bom sinal de dinamismo económico”, disse, lembrando que esta é uma realidade comum nos países do Norte da Europa. As declarações de Manuel Heitor foram proferidas poucas horas depois de o Instituto Nacional de Estatística ter dado conta de que a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos atingiu, no segundo trimestre, o seu valor mais baixo dos últimos oito anos. Está em 19,4%, mesmo assim bastante superior à taxa de desemprego geral que desceu para 6,4%. Por comparação ao trimestre anterior desceu 2,5 pontos percentuais. Se a comparação for feita com o mesmo período de 2017, para atenuar os efeitos de sazonalidade, verifica-se que diminuiu 3,3 pontos.


Autor: PÚBLICO – Educação




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