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Só 2,5% dos cidadãos de etnia cigana completaram o ensino secundário ou fizeram estudos acima deste nível, constatou em 2014 o Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas, da autoria de Manuela Mendes, Olga Magano e Pedro Candeias. Estima-se que existam em Portugal entre 40 a 60 mil ciganos.

No universo destes 2,5%, os investigadores apenas encontraram 148 casos com ensino secundário, 16 casos com ensino médio/profissional, um caso com bacharelato e cinco casos com licenciatura. Foram inquiridos 1599 agregados familiares (cerca de 6800 pessoas).

A taxa de analfabetismo encontrada foi de 15,5%; cerca de 30% não têm o 1.º ciclo completo ou nunca frequentaram a escola; e aproximadamente 39% completaram apenas o ensino básico, maioritariamente o 1.º ciclo e só cerca de 6% o 3.º ciclo.

Quando se vêem este dados com o filtro do género encontram-se diferenças. “Existem mais mulheres sem saber ler e escrever do que homens; há mais mulheres com o 1.º ciclo e a presença das mulheres tende a diminuir à medida que subimos no patamar dos níveis de ensino”, lê-se no estudo.

“As desigualdades de género são ainda muito marcantes, já que as mulheres ciganas têm um nível de escolaridade ainda mais baixo do que os homens, sendo raros os casos em que ultrapassam o ensino básico (1.º ciclo).”

Analisados os níveis de escolaridade atendendo às idades, há sinais positivos. Nas crianças até aos cinco anos de idade, a larga maioria frequenta o pré-escolar. Mas a frequência escolar vai diminuindo à medida que a criança se aproxima da adolescência. No grupo etário entre os 15 e os 19 anos é onde se verifica a maior percentagem de pessoas com o 3.º ciclo e ensino secundário. É nos grupos com mais idade (acima dos 50 anos) que se nota uma maior concentração de pessoas que não sabem ler nem escrever.

Quando questionados sobre terem filhos e/ou netos a cargo que não tenham ido ou que tenham abandonado a escola antes da escolaridade obrigatória, 14,7% respondem afirmativamente, “o que indicia os elevados índices de abandono escolar desta população.” As pessoas respondem que as principais razões pelas quais os filhos e/ou netos a cargo não terem ido ou terem abandonado a escola são o “já terem aprendido o necessário” e “o facto de estarem noiva/os, casada/os, grávidas ou terem sido recentemente mães/pais”.

Autor: Publico.pt – Educação




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