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Aprender a conduzir em menos de um dia? A vencedora do concurso de startups da Web Summit deste ano — a Wayve — diz que bastam dez minutos. Foi criada por estudantes do departamento de engenharia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, com o objectivo de usar algoritmos e aprendizagem por reforço para pôr carros autónomos a conduzir nas estradas, sem os ter de programar com mapas das estradas de várias cidades. E desde Janeiro de 2018 que tem alguns automóveis a ser testados nas estradas do Reino Unido.

“A tecnologia de hoje usa sensores e regras para pôr carros autónomos em algumas cidades, mas o nosso projecto permite levar a condução autónoma a todas”, justificou Alex Kendall, o co-fundador da Wayve, no palco da Web Summit. Para Kendall, o sucesso da condução autónoma não depende de carros com “mais sensores, mais regras, e mais mapas”, mas de automóveis que consigam aprender a partir dos seus erros, tal como os humanos. Muito como um ser humano, que conduz através da audição e da visão, para o sistema da Wayve quer “voltar ao básico”. Para funcionar basta uma câmara monocular virada para a estrada e um programa de computador que permite ao sistema aprender – sozinho – a partir de dados. Num vídeo de demonstração, vê-se um humano no lugar do condutor, preparado para corrigir a trajectória do carro autónomo a usar o Wayve quando este se engana.

Nos últimos três dias, Kendall teve de defender o seu projecto perante os 70 mil participantes da Web Summit e competir com outras 170 startups de todo o mundo. Contrariamente aos anos anteriores (em que a vitória vinha acompanhada por um prémio monetário e um programa de mentoria), este ano trouxe apenas a notoriedade. Para Kendall não é importante. “O que queremos é a notoriedade e a importância que o prémio nos dá”, justificou numa conferência de imprensa, de troféu na mão.

É a primeira vez que o concurso de startups da Web Summit não tem prémio. Em 2016, a startup vencedora (um robô dinamarquês que ensinava crianças a programar) arrecadou 100 mil euros da Portugal Ventures, e em 2017 um minifrigorifico francês para armazenar medicamentos conseguiu 50 mil euros e um programa de mentorado. O PÚBLICO tentou contactar a equipa de Web Summit sobre a mudança, mas não obteve resposta até à hora de publicação deste artigo.

Entre as três finalistas estavam também a Lvl5, uma empresa californiana que cria mapas detalhados em três dimensões (a partir de pequenas câmaras no pára-brisas de carros) para guiar carros autónomos, e a FactMata, uma empresa londrina que está a desenvolver um sistema que usa inteligência artificial para encontrar notícias falsas (depende de uma plataforma composta por jornalistas, activistas e cientistas). Ambas receberam mais votos da plateia a assistir às apresentações finais das startups (a Wayve, apesar de ser a favorita do júri, apenas conseguiu 11% dos votos do público na aplicação da Web Summit).

Para a equipa da Wayve, agora o foco é usar o reconhecimento dado pela Web Summit para motivar mais empresas a pensar em projectos assentes em inteligência artificial. “Não quero enganar o mundo. Isto vai demorar tempo, mas é importante ter robôs capazes de compreender o meio ambiente que os rodeia”, diz o co-fundador Alex Kendall.


Autor: PÚBLICO – Tecnologia




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