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Há quem queira Travis Kalanick na Uber. Desde a notícia da sua demissão esta quarta-feira, mais de mil trabalhadores da empresa já assinaram uma petição para que o ex-presidente executivo voltasse. O co-fundador da Uber terá sido pressionado a abandonar o cargo por investidores preocupados com a imagem da empresa, que tem acumulado uma série de polémicas nos últimos meses (desde queixas de assédio sexual e trabalhadores mal pagos, a acções judiciais e estratagemas para fugir da polícia).

Na quinta-feira, porém, chegaram as primeiras críticas. “Quase todas as pessoas com quem eu falei e que conheciam pessoalmente o Travis têm uma história fantástica de como o Travis as motivava a fazerem o seu melhor trabalho”, lê-se no email – enviado ao site de notícias Recode – sobre a petição que circula entre os trabalhadores a favor do antigo executivo. 

Por enquanto, a quantidade de assinantes representa uma pequena parte da força de trabalho da Uber (que reúne mais de 14 mil funcionários), mas já mostra como a saída de Kalanick está a afectar a empresa.

No final, a petição será enviada ao conselho da administração. O objectivo é que os investidores vejam que fizeram a escolha errada. “Ninguém é perfeito, mas eu acredito firmemente que ele pode transformar-se no líder que a Uber precisa hoje e que é crítico ao sucesso da empresa no futuro”, lê-se na conclusão do email.

Alguns dos investidores também já criticaram publicamente o afastamento de Kalanick. Para Mood Rowghani, um parceiro da empresa de capital de risco KBCB que tem acções da Uber, é fundamental que Kalanick mantenha um papel activo na empresa. “Os fundadores nem sempre desempenham o papel de presidentes executivos, mas várias empresas de topo – como a Apple e o Twitter – que eliminaram todos os laços que tinham com os fundadores, arrependeram-se da decisão”, disse Rowghani num comunicado enviado ao site de notícias Axios.

Várias mensagens de apoio também circulam nas redes sociais. “A única coisa apropriada a dizer nesta altura é: Obrigada, Travis,” escreve Margaret-Ann Seger, uma gestora de produtos da Uber, num comunicado publicado na sua página no Facebook. “Obrigada por criares um local de trabalho onde nenhuma ideia era descabida. Quando te avisámos que para tornar o nosso produto acessível a passageiros internacionais teríamos de aceitar pagamentos em dinheiro, não ficaste entusiasmado, mas deixaste-nos tentar. E quando os teus trabalhadores te disseram que tinhas de mudar alguns aspectos da cultura interna da empresa, ficaste descontente, mas ouviste-nos.”

Depois das acusações de assédio de uma antiga engenheira da Uber, Susan Fowler, se tornarem públicas, Kalanick contratou a empresa de advocacia Perkins Coie foi contratada para investigar o caso. Pelo menos 20 pessoas foram despedidas no seguimento do caso.

A Uber ainda não emitiu nenhum comunicado oficial sobre o assunto.

Antes de se demitir oficialmente, Travis Kalanick tinha tirado uma licença sem vencimento da Uber “por tempo indeterminado”, para reflectir sobre o futuro da sua liderança e recuperar da morte inesperada da mãe num acidente de barco o mês passado.

Autor: Publico.pt – Tecnologia




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