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A Web Summit vai ser a “pequena cereja” no topo do bolo do empreendedorismo português. A expressão foi usada no início deste ano pelo co-fundador do evento, Paddy Cosgrave, e tinha tanto de elogio ao crescente ecossistema de startups em Portugal, como de excesso de humildade. 

O arranque está agendado para segunda-feira ao final da tarde, em Lisboa, naquela que é a estreia do evento fora de Dublin. Na abertura, subirão sucessivamente ao palco Cosgrave, António Costa, e algumas das estrelas da vaga de startups tecnológicas portuguesas, como é o caso de Miguel Santo Amaro, da Uniplaces, e Jaime Jorge, da Codacy. Ao todo, a Web Summit terá cerca 53 mil participantes, espalhados por largas dezenas de palestras e debates, cujos temas vão do futuro da indústria automóvel à exploração espacial, passando pelo impacto da tecnologia na saúde. Entre os oradores há cientistas, astronautas, executivos de empresas como o Facebok e a Amazon, políticos e governantes de vários países. Há ainda uma zona para as startups exporem os seus produtos e distribuírem freneticamente cartões de visita, numa tentativa de abrir portas a futuras conversas com potenciais investidores e clientes. 

O evento, porém, não ficará contido no espaço do Meo Arena e da FIL, na zona oriental da cidade. Ao longo da semana, a Web Summit vai desdobrar-se em festas, jantares, cocktails de networking, reuniões e périplos pelos bares das típicas zonas da boémia lisboeta, incluindo o Cais do Sodré e o Bairro Alto. Há hotéis que estão cheios há muito, os transportes públicos foram reforçados, a Uber lançou uma modalidade de partilha de viagens.  

Já a imprensa internacional publicou nas últimas semanas vários artigos sobre o empreendedorismo em Lisboa (com as habituais referências ao clima e aos preços baixos) e fez comparações com alguns dos centros de startups europeias, como é o caso de Berlim e Londres. A agência Bloomberg falou na costa oeste da Europa, traçando um paralelo com a Califórnia em que não faltaram as inevitáveis referências às praias, ao surf e à Ponte 25 de Abril, semelhante à Golden Gate de São Francisco. O Ministério da Economia respondeu às comparações e pôs a circular na Internet uma imagem que diz, em inglês: “Isto não é a nova Berlim. Isto é Portugal”.

Antecipando um ambiente frenético ao longo da semana, as startups que querem aproveitar o evento têm estratégias pensadas. “Cada membro de equipa tem a sua própria agenda e as pessoas com quem quer falar”, explica João Romão, fundador da GetSocial, que desenvolve uma plataforma para outras empresas perceberem como os seus conteúdos se espalham pelas redes sociais. O tempo, diz Romão, será um bem escasso. “Nestes eventos, não dá para reunir com ninguém. Ninguém vai ter tempo para se sentar num canto durante meia hora. O meu objectivo é falar aqueles cinco minutinhos com 300 pessoas, para que nos próximos meses possa ter uma call [conversa] de 15 minutos.”

Também Jorge Santos, fundador da MagniFinance, espera fazer contactos para ter resultados a prazo. “Temos duas perspectivas para a Web Summit: por um lado, falar com investidores que apsotem na nossa área ou em áreas adjacentes e abrir canais que podem vir a dar frutos. Por outro lado, tentar angariar clientes”. A MagniFinance, criada no ano passado, vende um serviço para a gestão financeira de empresas. Tem cerca de 1800 clientes em Portugal e está agora a preparar a expansão internacional. Jorge Santos gostava de “conhecer seis ou sete” investidores de risco na Web Summit, “para começar as conversas”. 

Há ainda quem aproveite a vinda a Portugal de milhares de investidores, empreendedores e gestores para organizar os seus próprios eventos. É o caso da Aptoide, uma loja de aplicações para Android, que concorre com a loja do Google que vem pré-instalada na generalidade dos telemóveis com este sistema operativo. Para além de ter um stand na Web Summit, a empresa vai revelar os vencedores de um concurso de aplicações que promoveu. “O objectivo é a divulgação da Aptoide. Vamos ter muita gente da indústria, queremos convidá-los para participar. É uma forma de promover as aplicações portuguesas no mundo”, explica Álvaro Pinto, co-fundador e director de operações da empresa. O objectivo é “a partilha de conhecimento com parceiros, potenciais clientes e pessoas na indústria que têm tido sucesso a nível internacional”.





Autor: Publico.pt – Tecnologia




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